Quimioterapia feita sob encomenda
Por Dr. Gustavo Vilela13/08/2013Desde que a quimioterapia passou a ser utilizada há algumas décadas, os protocolos de tratamento sempre seguiram um padrão. Em outras palavras, se alguém tem um câncer de mama, por exemplo, vai seguir os protocolos comuns, com os medicamentos já preestabelecidos.
Não sabemos, porém, se os remédios usados serão eficazes em termos para o indivíduo em questão.
Hoje em dia cresce cada vez mais o interesse pela oncologia personalizada, na qual indicamos para o paciente quais medicamentos seriam mais eficazes para o seu caso em particular.
Essa realidade já existe, pois já é possível, nos dias de hoje, analisarmos no sangue da pessoa se existem células tumorais circulantes, quantificar essas células e – o que é mais interessante – testar no laboratório as medicações mais eficazes para combater a doença.
Certamente esses testes necessitam de estudos, mas, de certa forma, podem nos auxiliar desde já a escolher melhor os protocolos de tratamento.
Novas possibilidades
Além de ser possível escolhermos melhor os novos esquemas de tratamento que despertam interesse, tais como os esquemas feitos em menor dose. Esses novos esquemas estudam a possibilidade de serem usadas baixas doses do quimioterápico, porém, dando-o diversas vezes. Por exemplo, em vez de se usar 100 mg por mês, dados de uma vez só, pode-se dar os 100 mg em aplicações pequenas várias vezes. Para que as pequenas doses sejam eficazes, utilizam-se frequentemente nesses protocolos alguns medicamentos clássicos. A vantagem desse tipo de tratamento (chamado de Hiperfracionado ou Metronômico) é reduzir drasticamente os efeitos tóxicos (que afetam a imunidade e acabam trazendo diversas complicações).
Esse tipo de protocolo ainda não faz parte dos tratamentos clássicos, mas é muito promissor. Atualmente é possível usá-lo, desde que com o consentimento do paciente.
Alimentação
Além de uma abordagem mais personalizada, é importante mudar alguns hábitos de vida. Assim como existe dieta especial para quem tem problemas de rim, coração, diabetes etc., existem dietas mais apropriadas ao paciente oncológico. Já é sabido que as células tumorais consomem preferencialmente glicose (açúcar), de modo que devemos restringir o excesso de carboidratos do paciente com câncer. Gorduras e proteína devem ser preferidos. Alimentos tipo refrigerantes, doces, arroz, farinha, biscoitos e massas fornecem alimento para o câncer. Esse tipo de intervenção só deve ser feito com orientação de um médico e nutricionista, preferencialmente que trabalhe em conjunto para melhor montar um plano alimentar apropriado.
Atividade física
Existem centenas de estudos clínicos que atestam o benefício da atividade física no paciente com câncer. Melhora da imunidade, menor perda de massa muscular, melhor controle de dores e menor taxa de depressão e cansaço são alguns dos benefícios possíveis. O exercício deve certamente levar em conta a idade, o condicionamento físico do indivíduo e sua condição clínica. A atividade física não pode ser mais um estresse para a pessoa, portanto, aqueles que estão debilitados não devem realizá-lo. É fundamental que o médico esteja de acordo com esse tipo de prática, pois somente ele saberá avaliar os riscos individualmente. Da mesma forma, um treinador físico pode auxiliar muito, adaptando melhor os tipos de movimento e carga que cada pessoa pode executar, de acordo com a orientação médica.
Cuidado com poluentes ambientais
Não há mais como negar a nossa exposição diária e contínua a agentes tóxicos ambientais. Nunca, na história da humanidade, nos expusemos a tamanha variedade de compostos químicos provenientes da produção industrial e do estilo de vida que adquirimos nas últimas décadas, substâncias nunca antes penetradas no nosso corpo. Seguem algumas dicas, benéficas não apenas aos pacientes oncológicos, mas a todos que buscam melhor saúde em longo prazo:
• Evite o fumo (ativo ou passivo) e o álcool;
• Não consuma medicamentos desnecessariamente;
• Evite aquecer alimentos em embalagens plásticas;
• Beba água purificada, sem cloro e flúor, com pH alcalino (pH acima de 6,5);
• Consulte seu médico e dentista para considerar a substituição de obturações dentárias contendo mercúrio;
• Sempre que possível, consuma alimentos orgânicos;
• Consuma alimentos que estimulam as enzimas de fase I ou II (alho, chá-verde, brócolis, cúrcuma, couve-flor, agrião, repolho, tofu, cebola, uvas, couve);
• Adquira o hábito de beber suco verde (suco fresco de vegetais orgânicos);
• Favoreça os mecanismos naturais de desintoxicação: suor (sauna, exercício físico), urina (mantenha ingestão de água ao longo do dia) e fezes (combate ao intestino preso, preferencialmente com a dieta);
• Procure aplicar sobre a pele cosméticos naturais, consulte seu médico para que lhe indique produtos com essa finalidade. Evite produtos repletos de perfume e corantes;
• Evite ingerir alimentos industrializados, consuma alimentos frescos, feitos na hora e preparados em casa;
• Utilize panelas de aço inox, esmalte, cerâmica ou vidro. Evite outros tipos de panela, que possam liberar metais ou tóxicos;
• Evite usar aromatizadores artificiais (para carro ou ambientes). Prefira óleos essenciais naturais;
• Considere, junto com seu médico, o uso de suplementos alimentares que comprovadamente podem auxiliar no bom funcionamento das enzimas de desintoxicação;
• Analise a possibilidade de realizar exames genéticos capazes de determinar se há alterações em suas enzimas de fase I e II. Esses exames podem dar orientações não somente sobre quais substâncias são mais danosas para o seu caso, mas também quais tratamentos podem ser considerados;
• Discuta com seu médico a possibilidade de medir a carga cumulativa crônica de metais tóxicos no corpo (especialmente chumbo, mercúrio, alumínio, arsênico, estanho e cádmio) em laboratórios de referência, bem como a necessidade de tratamento em caso de possuir níveis acima daquele recomendado pelas
Agências de Proteção Ambiental Internacionais.
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
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